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Altos Negócios | Resenha Crítica

publicado em:15/05/20 12:41 PM por: Kamila Azevedo Filmes

Um dos pontos mais interessantes de Altos Negócios, filme dirigido e escrito por Cünet Kaya, é a maneira como é feita a construção da personagem principal. Viktor Steiner (David Kross) cresceu em uma família desfeita, acreditando que a sua mãe (Silvina Buchbauer) abandonou seu pai (Robert Schupp) porque ele era um pintor sem dinheiro. Por isso mesmo, quando ele se torna uma homem adulto, Viktor tem uma certeza: a de que ele nunca passará por privações novamente.

Este detalhe é muito importante para que possamos compreender a jornada de Viktor no decorrer de Altos Negócios. O filme nos retrata como ele se tornou milionário após aplicar uma série de golpes no mercado imobiliário, tendo a cumplicidade de uma gerente bancária (Janina Uhse) com quem ele se casa, posteriormente; e do seu sócio (Frederick Lau).

A estrutura narrativa de Altos Negócios também traz uma perspicácia adicional. O tempo inteiro, na forma como o filme está estruturado, temos a impressão de que Viktor está fazendo um exame de consciência sobre os seus atos, analisando os erros e acertos que cometeu em sua trajetória. Porém, quando chegamos ao final do longa, pelo menos eu, me senti enganada, ao perceber que não era nada disso. Me senti quase como uma nova vítima do golpista Viktor. Ele não aprendeu nada – o que é uma pena, tendo em vista tudo que ele passou e causou aos outros.

Altos Negócios (Raising High/Betonrausch, 2020)
Direção: Cünet Kaya
Roteiro: Cünet Kaya (com base na ideia dele mesmo e de Johannes Kunkel)
Elenco: David Kross, Robert Schupp, Silvina Buchbauer, Janina Uhse, Frederick Lau

Avaliação/Nota

Nota
5.5

Média Geral



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Jornalista e Publicitária


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